sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Vá em paz, 2010

E há muito tempo eu não queria tanto que um ano terminasse como espero que 2010 termine. Que termine, vá embora e me esqueça. Não, mas sem mágoas!

Parece que esse ano durou 5 anos...

Lembro das alegrias de alguns anos atrás; em especial, levo um carinho enorme por 2009. Tinha um gostinho bom, de alegria, um gostinho bom de expectativas e felicidades e medo e vontade de viver.

-Amanhã é dia de nascer de novo.

É, Caio, é o que eu desejo. Que esse ano seja repleto de constantes (re)nascimentos.

Entendo que as coisas jamais serão leves. Tenho uma eterna inclinação por tudo aquilo que é sombrio e intenso - e acho a loucura muito mais sincera do que o comedimento.

Sei que apesar de minha eterna bipolaridade, meu lado sincero é uma das coisas que mais tenho orgulho. E por uma pura sinceridade, digo que não sei o que esperar do futuro, mas sei que há algo bom se construindo em meu presente e eu quero que seja especial.

Viver é bom nas curvas da estrada...


Boa noite! E que 2011 seja doce.


As coisas vão dar certo.
Vai ter amor, vai ter fé,
vai ter paz – se não tiver, a gente inventa.
(Caio Fernando Abreu)

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

o tudo

E quando te ferirem,
deixe que o sangue jorre
enlouquecendo também os
que te feriram.
(Caio F. Abreu)

Não sinto nada mais ou menos, ou eu gosto ou não gosto. Não sei sentir em doses homeopáticas. Preciso e gosto de intensidade, mesmo que ela seja ilusória e se não for assim, prefiro que não seja.
Não me apetece viver histórias medíocres, paixões não correspondidas e pessoas água com açúcar. Não sei brincar e ser café com leite. Só quero na minha vida gente que transpire adrenalina de alguma forma, que tenha coragem suficiente pra me dizer o que sente antes, durante e depois ou que invente boas estórias caso não possa vivê-las. Porque eu acho sempre muitas coisas - porque tenho uma mente fértil e delirante - e porque posso achar errado - e ter que me desculpar - e detesto pedir desculpas embora o faça sem dificuldade se me provarem que eu estraguei tudo achando o que não devia.
Quero grandes histórias e estórias; quero o amor e o ódio; quero o mais, o demais ou o nada. Não me importa o que é de verdade ou o que é mentira, mas tem que me convencer, extrair o máximo do meu prazer e me fazer crêr que é para sempre quando eu digo convicto que "nada é para sempre."

domingo, 14 de novembro de 2010

extremamente interior

Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida. Mas antes da pré-história havia a pré-história da pré-história e havia o nunca e havia o sim. Sempre houve. Não sei o que, mas sei que o universo jamais começou.
Que ninguém se engane, só consigo a simplicidade através de muito trabalho.
Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta continuarei a escrever. Como começar pelo início, se as coisas acontecem antes de acontecer? Se antes da pré-pré-história já havia os monstros apocalípticos? Se esta história não existe, passará a existir. Pensar é um ato. Sentir é um fato. Os dois juntos - sou eu que escrevo o que estou escrevendo. Deus é o mundo. A verdade é sempre um contato interior e inexplicável. A minha vida é a mais verdadeira irreconhecível, extremamente interior e não tem uma só palavra que a signifique. Meu coração se esvaziou de todo desejo e reduz-se ao próprio último ou primeiro pulsar. A dor de dentes que perpassa esta história deu uma fisgada funda em plena boa nossa. Então eu canto alto agudo uma melodia sincopada e estridente - é a minha própria do, eu que carrego o mundo e há falta de felicidade. Felicidade? Nunca vi palavra mais doida, inventada pelas nordestinas que andam por aí aos montes.

extremamente interior

Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida. Mas antes da pré-história havia a pré-história da pré-história e havia o nunca e havia o sim. Sempre houve. Não sei o que, mas sei que o universo jamais começou.
Que ninguém se engane, só consigo a simplicidade através de muito trabalho.
Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta continuarei a escrever. Como começar pelo início, se as coisas acontecem antes de acontecer? Se antes da pré-pré-história já havia os monstros apocalípticos? Se esta história não existe, passará a existir. Pensar é um ato. Sentir é um fato. Os dois juntos - sou eu que escrevo o que estou escrevendo. Deus é o mundo. A verdade é sempre um contato interior e inexplicável. A minha vida é a mais verdadeira irreconhecível, extremamente interior e não tem uma só palavra que a signifique. Meu coração se esvaziou de todo desejo e reduz-se ao próprio último ou primeiro pulsar. A dor de dentes que perpassa esta história deu uma fisgada funda em plena boa nossa. Então eu canto alto agudo uma melodia sincopada e estridente - é a minha própria do, eu que carrego o mundo e há falta de felicidade. Felicidade? Nunca vi palavra mais doida, inventada pelas nordestinas que andam por aí aos montes.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Vem dançar a dança das estações

Engraçado ver tudo começar de novo! O nervoso, a vontade de adiar tudo, cancelar, esquecer... Mas, ah, é gostoso, é sim, ver o interesse nascer naturalmente, e querer estar perto, se longe, ou estar mais perto, se perto, - que é que eu sei!

Fica perto então
que tanta solidão já feriu demais.

Não, não, talvez eu esteja me precipitando. Talvez ainda seja cedo para aceitar essa maluquice novamente. Acho que não estou pronta para separar o que sou eu do que ele foi. Calma! A vida é aos poucos. Ou não. Por que é que nesse mundo não tem paz? Por que tanta paixão?

(Um dia desses eu te conto a minha história)

Quem será que me buscaria no Hades? No inferno, quem sabe.
A vida acontece de repente. O amor é que chega de mansinho. Aos poucos a gente aprende - que esperar não basta.

Gosto de te ver rindo
e da riqueza das coisas simples
que guardo qual tesouros.
E a beleza está em não ter pressa.
Que corremos demais, meu amor,
e é hora de parar, deitar na grama,
falar só besteira e rir da vida.


A gente tem de andar conforme dita a nossa necessidade, e chorar, chorar, amar, amar e amar, assim, de repente, do nada, nem que seja pela primeira vez. Me explica com que cara eu vou sair. Nem que seja pela última vez, olhar aquela vida toda que esteve nas suas mãos, aceitar a nova morte como tantas vezes buscara a bela.
Não. Quero vivê-lo em cada vão momento. O novo. O mundo todo, todo, todo. Essa busca perdida pelo que uma única vez fora achado - e ainda no lugar errado. Não há arrependimento. Todo amor, real, nem que além de todas as possibilidades, nem que um já não saiba, já tenha perdido a capacidade de aceitar essa mão, todo amor, bem feito, é uma parte que morre, ou que vive, não sei. Não sei. Sei que o mundo é grande, que a vida, que a vida só a mim pertence - por mais que eu tenha tentado tanto deixá-la onde não devia, com quem não devia. Com quem não devo. Pelo que foi, tudo valeu.
Orfeu, o mundo é meu, Orfeu.

domingo, 7 de novembro de 2010

pela janela

"Perder-se também é caminho"
(Clarice Lispector)


Frágil – você tem tanta vontade de chorar, tanta vontade de ir embora. Para que o protejam,
para que sintam falta. Tanta vontade de viajar para bem longe, romper todos os laços, sem
deixar endereço. Um dia mandará um cartão-postal de algum lugar improvável. Bali,
Madagascar, Sumatra. Escreverá: penso em você. Deve ser bonito, mesmo melancólico, alguém que se foi pensar em você num lugar improvável como esse. Você se comove com o que não acontece, você sente frio e medo. Parado atrás da vidraça, olhando a chuva que, aos poucos começa a passar.

uma tarde dessas

"Canibais de nós mesmos,
antes que a terra nos coma...
Porque a gente é assim?"
(Cazuza)

À procura de novos vícios, embora seja o que eu menos precise no momento. Talvez o cigarro seja uma alternativa; preciso de algo que preencha esse vazio insesante e incompreensível que há aqui dentro e a sujeira do cigarro, a sujeira contida em sua fumaça talvez fosse o que mais corresponde. Algo que preencha a alma? É, talvez. Talvez.
Com o sol a pino, me vi andando perdida por lugares onde sempre estive, mas que agora fazem parte de uma lembrança tão distante. Ah, uma vontade de me perder de repente por aí, sem que ninguém possa me encontrar. Cinco anos.
No último ano tive tudo, mas a insônia é a amiga permanete, não me deixa, nem que eu peça; está sempre aqui, lado a lado, me fazendo pensar e colocando meus demônios na minha frente. A falta.
Seres humanos, feitos de carne. Sim, é do que somos feitos e estamos completamente
sozinhos. Insatisfeitos, portanto.

"Ah, tenta não ligar pra essa gente chata e sem graça"
(N. Altro)