sábado, 2 de outubro de 2010

A melhor parte de mim



Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos; fico com aqueles que fazem de mim
louca e santa. Deles não quero resposta, quero meu avesso, que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim; para isso, só sendo louco. Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou; pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Simples assim

Fico quieta. Primeiro que paixão deve ser coisa discreta, calada, centrada. Se você começa a espalhar aos sete ventos, dá errado. Isso porque ao contar a gente tem a tendência a, digamos, “embonitar” a coisa, e portanto distanciar-se dela, apaixonando-se mais pelo supor-se apaixonado do que pelo objeto da paixão propriamente dito. Sei que é complicado, mas contar falsifica, é isso que quero dizer (e pensando mais longe, por isso mesmo literatura é sempre fraude). Quanto mais não-dita, melhor a paixão. Melhor, claro, em certo sentido que signifícatambém o pior: as mais nobres paixões são também as mais cadelas, como aquelas que enlouqueceram Adele H., levaram Oscar Wilde para a prisão ou fizeram a divina Vera Fischer ser queimada feito Joana d’Arc por não ser uma funcionária pública exemplar.
Deve ser por isso que fico (ficamos todos, acho) tão abalada quando, sem nenhuma preparação, ela acontece de repente. E então o espanto e o desamparo, a incompreensão também, invadem a suposta ordem inabalável do arrumado (e por isso mesmo 'eterno') cotidiano. A morte de alguém conhecido e/ou amado estupra essa precária arrumação, essa falsa eternidade. A morte e o amor. Porque o amor, como a morte, também existe - e da mesma forma, dissimulada. Por trás, inaparente. Mas tão poderoso que, da mesma forma que a morte - pois o amor também é uma espécie de morte (a morte da solidão, a morte do ego trancado, indivisível, furiosa e egoisticamente incomunicável) - nos desarma. O acontecer do amor e da morte desmascaram nossa patética fragilidade.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

É preciso ter paciência…
Respirar fudo.
Não xingar a vida.
Levantar e seguir adiante.
Ter paciência.
Não varrer o chão com o olhar.
Não se deprimir com os pingos de chuva.
Não desviar do reflexo nas vitrines.
Paciência amigo.
Esquecer as pessoas que te ferraram.
Ser menos vingativa.
Construir mais e destruir menos.
Paciência.
Olhar a vida nos olhos.
Tirar força da alma.
Planejar melhores dias.
(…)
É preciso ter paciência…
TUDO o que eu não tenho.

domingo, 5 de setembro de 2010

Até breve, até...

Desculpa se eu não posso ficar.
Tenho compromisso marcado.
Com o vento, com o mar, com as pegadas na areia.
Me comprometi com estar lá toda noite,
presente, esperando…
Pra receber de braços abertos
o último piscar de olhos de uma estrela
que se foi há tempos.
Prometi fazer as honras.
Dedicar-lhe o momento perfeito
do primeiro gole gelado da melhor cerveja,
do primeiro beijo de adeus
do resto de nossas vidas.
Por isso não posso ficar preso.
Desculpa.
Aliás, já nem mesmo me pertenço.
Não mais…
Não posso ser teu nem de ninguém
pois já tenho compromisso.
Com caminhar nas pedras,
na água rasa,
nas ruas e nos bares.
Com dormir aqui e acordar por aí.
Com transpirar minha alma
e
“escrever por milhas”.
E todas as noites
sempre tenho que esperar por minha estrela.
Porque ela sabe que vou estar lá.
E… é tudo o que também sei.
Então ser assim é tudo o que posso prometer.
A mim, a minha estrela e a você.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Primavera, verão...chega o outono e caem todas as folhas; e no inverno, fica a árvore toda daquele jeito. Mas aí, vem vindo a primavera de novo...

sábado, 21 de agosto de 2010

Quase sem querer


Ontem resolvi de uma vez por todas sair para tentar me esquecer.
E, consequentemente esquecer de tudo que tem me acometido nos últimos tempos.
Tentar arrancar esse aperto, esse medo.
Essa sensação que de algum modo é inexplicável.
E me sufoca.
De repente, no caminho, encontro pessoas. Simples pessoas. Apenas pessoas. Talvez minhas pessoas. Um abraço, um olhar, um beijo, uma sensação de carinho recíproco que a gente não entende muito bem porque, mas que o simples fato de existir aquece seu coração de maneira encantadora. E eu percebo, novamente, que o meu eterno discurso de que "a felicidade pode ser encontrada em pequenas coisas, em simples detalhes", é totalmente real.
Conversas bobas, um pouco sem sentido; talvez até passageiras p'ra aquelas pessoas representaram algo imenso pra mim.
Uma despedida.
Um adeus.
Um até logo.
Continuo meu caminho rápido, desta vez feliz, quase que saltitante.
Mais pessoas de um passado recente, mas que p'ra mim parece longíquo e do qual eu sinto imensa saudade; abraços, olhares carinhosos, sorrisos tão sinceros que comovem minh'alma. Mais dois amigos, duas garrafas de vida, três horas que se tranformam em três dias. A essência que eu precisava p'ra não desistir, p'ra continuar; a força de pessoas que, talvez não saibam o que representam p'ra mim.
E eu tento me encontrar de novo. Sei que posso, sei que vou conseguir.
Obrigada à vocês; apenas o meu sincero obrigada que não pode dizer o quanto
vocês me ajudaram. E lá vamos nós.
"Ninguém vai me dizer o que sentir e eu vou cantar uma canção p'rá mim"

E a vida segue

Eis que na penumbra
meus olhos encontram
uma calma luz
escarlate

Luz fraca
repousando
sobre peles brancas
fotossensíveis.

É cedo.
E quão mais a luz do dia te revela
mais quero dessa paz,
desse
teu mundo tão teu.

Gosto demais disso,
calor de corpo sabe…
olhar,
toque,
presença.

Te foco tipo um gato
explorando uma casa nova
e respirando
cada click teu em tudo.

Tento remontar os passos
que nos trouxeram até aqui,
enquanto lá fora
o tempo grita,
as pessoas correm,
o mundo se engole
e absolutamente nada
nos importa.